Além de parte inerente a essência o indivíduo, os Gunas são também qualidades presentes nos alimentos, e através deles podemos obter o equilíbrio desejado para um ser pleno, em corpo e mente. A Ayurveda sempre recomenda o impulsionamento de Sattva, uma vez que este é o modo neutro e mais balanceado dentre os demais. De um modo mais prático, pode-se dizer que uma comida vegetariana geralmente é Sattva e torna-se Rajas ao adicionar pimenta, fritando ou cozinhando-a demais. No entanto, pode se tornar Tamas se cozida de menos e guardada por muito tempo.

Os alimentos, como dito, também se encontram em um desses três estados e, dependendo de seu modo de preparo, promovem determinado estado mental. Sendo assim, Gunas podem ser vistos como categorias dentro de uma recomendação em forma de pirâmide-guia de alimentos, tendo sempre Sattva como base, Rajas se necessários e Tamas reduzidos na medida do possível.

Antes de introduzirmos alguns dos alimentos presentes em cada classe de Gunas, é de extrema importância adotar alguns hábitos de preparo e ingestão dos alimentos, os quais devem ser manuseados em ambiente tranquilo e limpo, sempre com muita referência e contentamento.

Sirva-os com amor e generosidade. No entanto, não faça sua refeição em frente à TV; também evite conversar ou discutir problemas enquanto se alimenta – sentimentos como raiva à mesa devem ser esquecidos. Não ingira líquidos durante as principais refeições, nem mesmo frutas e/ou sobremesas doces e geladas antes ou logo após. Seu prato não pode conter uma quantidade superior a duas mãos cheias de alimentos sólidos (grãos e vegetais)

Todos esses hábitos errôneos são capazes de prejudicar a sua digestão e todo o alimento mal digerido transforma-se em toxinas (ama) em seu organismo. Como se sabe, o acúmulo de toxinas pode predispor o surgimento de diversas doenças.

Durante as refeições você deverá cultivar a tranquilidade e a capacidade de concentração, sempre se lembrando de mastigar muito bem os alimentos antes de engoli-los. Ao consumir vegetais, dê preferência para os pré-cozidos, cozidos ou refogados; só tome cuidado com o modo de preparo para que seus nutrientes não se percam com a água.

Outro cuidado se dá em relação as estações do ano, as quais também demandam preparos específicos, e consumo de determinados alimentos em especial. Veja alguns detalhes sobre o assunto em duas estações de maiores amplitudes:

  • Inverno: quando há predominância do clima frio, é recomendado que os alimentos sejam cozidos ou refogados, sendo consumidos ainda quentes;
  • Verão:em estações onde a luz e o calor, os alimentos devem ser leves, frescos e de fácil digestão. O modo de preparo deve ser capaz de manter o seu frescor. Dê preferência para vegetais e hortaliças em forma de salada.

Independentemente da estação do ano, a regra estabelecida para Ayurveda é sempre a mesma: alimente-se principalmente de alimentos sattvicos, alternando com opções rajásicas somente se lhe for necessário obter mais energia. Tamásicos devem ser evitados a todo custo.

ALIMENTOS SÁTTVICOS

Conhecido como o “modo de Deus”, essa é força 0 (neutra), o que significa ser equilibrada e a âncora da calma para as correntes energéticas. Dentre os mais abundantes na natureza, os alimentos sáttvicos devem compor cerca de 65% ou mais dos elementos de uma refeição. Como resultado, promovem uma mente clara e é encontrado principalmente em pratos vegetarianos frescos, crus ou cozidos, mas sempre suculentos, nutritivos, fáceis de digerir e feitos com amor.

Esses alimentos também devem ser livres de aditivos e conservantes e podem incluir legumes, vegetais, frutas, ghee e leite fresco. Alguns bons exemplos do que pode ser consumido são: vagens, favas, lentilha, feijão, ervilha, grão-de-bico, soja, broto de feijão, cereais como arroz, milho, centeio, trigo e aveia. Incluem-se também os grãos integrais, vegetais que crescem acima do solo (tubérculos são exceção), nozes (castanhas, avelãs e amêndoas), sementes diversas (linhaça, gergelim, girassol, etc), pólen, mel, cana-de-açúcar, coalhada fresca, soro de leite, leite de soja e ervas e temperos com uso moderado.

Em geral, os alimentos sáttvicos são relacionados ao sabor madhura (doce) e são capazes de estimular a criatividade, a intuição, além de favorecerem os controles mental e emocional. Seus elementos são o ar (vayu) e o éter (akasha). Quando se encontram em predominância no organismo, o indivíduo é capaz de experimentar o samádhi, ou seja, a iluminação da consciência.

Seguir uma dieta sáttvica proporciona saúde, atenção, uma melhora significativa da memória, concentração, honestidade, senso de justiça, inteligência, sabedoria, pureza, luz, discernimento, serenidade, generosidade, compaixão e, para quem trabalha com criação, pode ser uma excelente fonte de insights, eloquência e pensamentos considerados sublimes.

ALIMENTOS RAJÁSICOS

Em quantidade bem menor que o Guna anterior, os alimentos rajásicos devem compor apenas 25% das suas refeições. Ele é considerado o “modo da Paixão” e significa movimento, sendo visto como o princípio positivo (+), sempre ardente e extrovertido. Em comparação com a Medicina Tradicional Chinesa, os Rajas podem se assemelhar a energia Yang masculina.

Em sua dieta, eles podem se apresentar através de todos os alimentos estimulantes, picantes e quentes em sua natureza. São alguns deles as frutas em calda, tâmaras secas, abacates, goiabas, mangas verdes, limões, sucos de fruta (consumo esporádico), levedo de cerveja, berinjelas, ervilhas secas, rabanetes, tomates, ruibarbos, flores de sabor picante, sorvete (consumo moderado), lentilha seca, azeitonas pretas ou verdes, amendoim, chocolate, tubérculos, condimentos (incluem-se alho, pimenta, chilli, sal, vinagre, gengibre, cebola crua e cebolinha), pistache, semente de abóbora, coalhada azeda, queijos (ricota, cottage e outros), açúcares (branco, refinado, mascavo e outros), derivados da cana-de-açúcar (caldo de cana, melado e rapadura), cortes finos de carne, alimentos fermentados ou recém enlatados e ovos.

Alguns itens liberados para a alimentação rajásica tão um tanto quanto controversos e também permitem o consumi de bebidas à base de cafeína como café, chás, energéticos, Coca-Cola e derivados. Outras polêmicas estão para a utilização de cigarros, bebidas alcoólicas, medicamentos e até mesmo drogas.

Os alimentos que tenham sido produzidos com raiva, pratos com frituras ou ingredientes sáttvicos cozidos em demasia também obtêm qualidades rajásicas.

Rajas está relacionado aos sabores (rasas) salgado e picante, capaz de estimular os sentidos e o elemento fogo (tejas), produzindo movimento e calor. Na sociedade moderna temos uma predominância de pessoas rajásicas, tendendo ainda para tamas.

ALIMENTOS TAMÁSICOS

Por fim, temos os alimentos de efeito tamas, os quais são encontrados em menor quantidade na natureza, entretanto são produzidos industrialmente e em maior quantidade pelo homem. No “modo da Ignorância”, esses alimentos significam resistência e descrevem a ideia de princípio negativo (-), frio e incipiente. Assim como Rajas é Yang, tamas se assemelha a energia Yin feminina.

Por serem principalmente compostos por alimentos industrializados, a dieta tamásica deve ser administrada com muita moderação, esporadicamente e, se possível, somente em situações especiais. Alguns itens em particular desta lista devem ser totalmente evitados, pois são capazes de esgotar suas reservas energéticas, causam estagnação, preguiça, embotamento físico e mental, além de torna-lo predisposto a várias doenças.

Sua porcentagem máxima de consumo está em 10% dos alimentos de uma refeição. Alguns elementos que compõem os tamásicos são fast foods, carnes em geral (bovina, suína e outras), proteína vegetal texturizada (carne de soja), frutos do mar, gorduras, alimentos fritos, alimentos congelados, curados, rançosos, requentados, aquecidos em micro-ondas e processados.

Outros exemplos são os sucos de fruta congelados (polpas), leite (pasteurizado, em pó e homogeneizado), sorvete em grandes quantidades, margarina, fungos e cogumelos como champignon, banana em grandes quantidades e à noite, cebola, alho, picles, queijos maturados por fungos (gorgonzola, roquefort, camembert e outros), alimentos embutidos (mortadela, salsicha, salame, linguiça, etc) e enlatados.

Alguns itens como o uso de cigarro, medicamentos, consumo de álcool e de drogas também estão na lista de substâncias tamásicas. Os efeitos a longo prazo promovidos pelo álcool e pelos alimentos feitos com indiferença também possuem qualidades tamásicas.

Relacionados com sentimentos coléricos e destrutivos, os alimentos tamásicos estão associados aos rasas (sabores) amargo e adstringente, estimulando os elementos jala (água) e prithivi (terra) e predispondo o indivíduo a condições como o aumento de gordura e peso corporal, além da formação de muco. Aquele com excesso de tamas pode ser induzido a atitudes materialistas, agindo com apego, insensatez e incapacidade de discernir e julgar o certo e o errado – suas ações são conduzidas puramente pela emoção.

Tudo o que contribui para se alguém se sinta enfraquecido, doente e mal consigo mesmo é considerado tamas. Sua classificação a coloca como a causa de todas as misérias da raça humana.

Fonte: https://www.wemystic.com.br/artigos/3-gunas-ayurveda-sattva-rajas-tamas/

 

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